A ingestão diária de cafeína e a sua saúde

A cafeína é um alcalóide que ocorre naturalmente em cerca de sessenta espécies de plantas diferentes. As mais comuns delas incluem cacau, nozes de cola, algumas folhas de chá e café em grão.  Além disso, café, certos refrigerantes, bebidas energéticas, refrigerantes e chá contêm cafeína, que pode ser obtida a partir de matérias-primas utilizadas na sua preparação ou de outra forma. 

A cafeína é relatada como a droga “psicoativa” mais consumida no mundo. O seu consumo tornou-se muito popular entre as crianças e adolescentes, com estatísticas mostrando um aumento de 70% nos últimos 30 anos. Da década de 1980 para o ano de 2005, o valor médio de cafeína consumida por crianças e adolescentes (com idades entre 5 e 18 anos) aumentou de 38 mg por dia para 69,5 mg por dia. A edição de dezembro de 2010 do Journal of Pediatrics mostrou um aumento de cerca de 109 mg de cafeína consumidas em um dia para as crianças na faixa etária semelhante.

Vários estudos têm sido realizados para determinar a quantidade ideal de cafeína necessária para um indivíduo saudável. Recomenda-se que a ingestão diária de cafeína para adolescentes em desenvolvimento não exceda 100 mg. Para a maioria dos adultos saudáveis, a dose diária recomendada é de 400 mg. É aconselhável que um máximo de 2,5 mg de cafeína por kg de peso corporal deva ser consumida por crianças. Deve-se notar que isso varia de acordo com a população e com o estado de saúde dos indivíduos.

A ingestão de cafeína através de suas principais fontes, como bebidas de cola (55%), chá (30%) e chocolate (14%) pode ter implicações positivas e negativas para o consumidor, dependendo do estado de saúde do mesmo e da quantidade de cafeína consumida. 

Uma pesquisa realizada pela US Food and Drugs Administration (e também por outros) mostrou que a ingestão moderada de cafeína pode desempenhar um papel importante no aumento de uma variedade de benefícios à saúde.

Em primeiro lugar, consumir 3-4 xícaras de café por dia pode reduzir o risco de desenvolver alguns tipos de câncer, como câncer de fígado, boca e garganta no indivíduo.  Em segundo lugar, alguns estudos sugerem que os adultos que consomem entre 2-4 xícaras de café por dia são menos propensos a cometer suicídio.  A bioquímica deste achado pode estar relacionada com a inibição da adenosina  do cérebro (um sedativo) e a estimulação de dopamina (um estimulante), que traz uma sensação boa.

Outro benefício da ingestão de cafeína é a melhora do metabolismo (em cerca de 3-11%) e da taxa de degradação da gordura (cerca de 10% e 29% em pessoas obesas e magras, respectivamente).  Alguns estudos observacionais indicam que os indivíduos que tomam regularmente uma quantidade ideal de cafeína também podem reduzir o risco de desordens do cérebro, tais como a doença de Alzheimer. 

Embora a cafeína posse ter os benefícios de saúde acima mencionados, também pode ter efeitos adversos sobre o corpo, especialmente quando tomada em excesso. Estes efeitos negativos podem ser categorizados sob efeitos psicológicos, incluindo distúrbios, dependência e outros efeitos adversos.

Os efeitos psicológicos da alta dosagem de cafeína incluem distúrbios de ansiedade, do sono e alimentares. A ingestão excessiva de cafeína e ansiedade são conhecidos por compartilhar sintomas semelhantes, e ambas as condições são suspeitas de serem fatores subjacentes para o aumento da atividade do sistema nervoso simpático. Alguns estudos sugerem que altas doses de cafeína podem desencadear e reforçar os sintomas de ansiedade, aumentando o nível de lactato no cérebro. 

A quantidade e a qualidade do sono podem ser alteradas pela overdose de cafeína. A insônia é o sintoma mais comum observado nos indivíduos. Este efeito pode ser muito negativo para pessoas idosas e crianças. A insônia pode causar dores de cabeça e falta de concentração.

A alta dosagem de cafeína pode piorar a condição de indivíduos que sofrem de distúrbios alimentares, tais como bulimia nervosa e anorexia nervosa. Pacientes com anorexia e bulimia por vezes consomem cafeína em excesso com a esperança de aumentar o metabolismo e suprimir o apetite. No entanto, o efeito estimulante da cafeína pode aumentar o risco de arritmias cardíacas e osteoporose, especialmente entre pacientes com anorexia.

A cafeína, tal como outras substâncias psicoativas, resulta em certos efeitos estimulantes desejáveis ​​e sintomas indesejáveis ​​de abstinência. A diferença é que os efeitos da cafeína são menos perigosos em comparação com os de outras substâncias psicoativas, como a cocaína. Os sintomas de abstinência comuns associados à overdose de cafeína incluem insônia, náusea, confusão e ansiedade. Estes sintomas normalmente desaparecem após a ingestão de cafeína.

A cafeína pode ser benéfica quando tomada na quantidade certa, mas a ingestão excessiva pode ser muito prejudicial para a saúde.

Matéria originalmente traduzida de Scientect, por Sanderson Calixto.

Revisado por Igor Augusto G. Cunha.

Sanderson Calixto

Sanderson Calixto

Biólogo com ênfase em Biologia Celular e Saúde e mestrando em Biociências e Biotecnologia pela Universidade Estadual do Norte Fluminense Darcy Ribeiro - UENF. Possui experiência na área de Imunofarmacologia de Produtos Naturais com ênfase na avaliação da atividade anti-inflamatória e antimicobacteriana.
Sanderson Calixto

Últimos posts por Sanderson Calixto (exibir todos)

Sanderson Calixto

Biólogo com ênfase em Biologia Celular e Saúde e mestrando em Biociências e Biotecnologia pela Universidade Estadual do Norte Fluminense Darcy Ribeiro – UENF. Possui experiência na área de Imunofarmacologia de Produtos Naturais com ênfase na avaliação da atividade anti-inflamatória e antimicobacteriana.

%d blogueiros gostam disto: