Velocidade de Hemossedimentação – VHS

Você provavelmente já deve ter ouvido falar sobre o exame de VHS, mas você sabe o que ele significa e como é realizado?

O teste da Velocidade de Hemossedimentação (VHS) é um teste bastante simples e realizado frequentemente em laboratórios de análises clínicas, sendo normalmente solicitado junto ao exame de sangue (hemograma). Normalmente é realizado em tubos de ensaio ou em seringas.

O VHS é um teste bastante sensível, porém pouco específico. Por este motivo, ele se apresenta alterado desde cedo e com muita frequência em várias doenças diferentes, por isso não é indicativo de nenhuma doença específica.

Esse exame de sangue é muito utilizado para identificar a presença de doenças inflamatórias. O VHS não dosa uma substância específica, mas sim várias proteínas plasmáticas, sendo que destas a mais importante é o fibrinogênio, cuja concentração no sangue aumenta de 2 a 4 vezes nos processos inflamatórios agudos.

Por ser um exame simples e de baixo custo, atualmente ele é o teste mais utilizado como indicador de doenças orgânicas e também para monitorar processos inflamatórios.

Teste da velocidade de hemossedimentação (VHS) realizado em um laboratório de análises clínicas. Fonte: Life Science.

Coleta para a realização do VHS

O VHS é realizado com o sangue coletado da veia do braço do paciente, sendo um procedimento de coleta muito simples e que não requer jejum para ser realizado. Normalmente, o resultado do exame já será entregue ao paciente um dia após a coleta.

Se o paciente estiver fazendo o uso de qualquer medicamento ele deve informar ao seu médico, pois alguns remédios afetam o resultado do teste.

Princípio do Teste

O nosso sangue é composto pelo plasma (parte líquida) e por células sanguíneas, como as hemácias e os glóbulos brancos (parte sólida). Normalmente, os componentes sólidos são dissolvidos no plasma sanguíneo. Devido a circulação do sangue, esses elementos flutuam em nossa corrente sanguínea.

Este teste garante, através da não agitação do sangue, que os componentes sólidos se depositem no fundo do tubo, enquanto a parte líquida do sangue fica na parte superior. Para a realização desse exame é utilizado anticoagulante na amostra de sangue.

As hemácias vão sendo puxadas para baixo pela gravidade e tendem a se aglomerar no fundo do tubo. No entanto, as hemácias são cobertas por cargas elétricas negativas e, quando vão se aproximando no fundo, repelem-se umas às outras. Essa força magnética de repulsão se contrapõe à gravidade e naturalmente diminui a velocidade com que as hemácias caem.

No entanto, se houver outras substâncias de cargas positivas nadando no plasma junto com as hemácias, estas vão anular as cargas negativas das hemácias e também a repulsão magnética entre elas, permitindo sua aglutinação. Neste caso, a gravidade age sozinha e a velocidade com que elas precipitam é acelerada.

Muitas proteínas concentram cargas positivas de um lado e negativas no outro. A parte positiva destas proteínas tem o mesmo efeito sobre as hemácias. Diversas proteínas produzidas pelo corpo durante infecções ou inflamações são assim, como por exemplo o fibrinogênio. Portanto VHS é um jeito indireto de medir a presença da inflamação ou infecção no corpo.

Fonte: Reumatologia avançada.

Valores de Referência

Os valores de referência para esse teste podem ser vistos na tabela abaixo:

Fonte: COLLRES et al., 2004.

Resultado do VHS baixo

Quando o resultado do VHS se encontra baixo, pode ser indício de:

  • Policitemia – aumento das células do sangue;
  • Esferocitose hereditária – tipo de anemia que se passa de pais para filhos;
  • Hipofibrinogenia – distúrbio da coagulação do sangue;
  • Anemia falciforme – onde as hemácias ficam em forma de foice;
  • Uso de corticosteroides.

O médico deverá analisar o resultado e, juntamente com o histórico clínico do paciente, fazer o diagnóstico ou pedir mais exames, já que muitas vezes o valor do exame de VHS pode estar baixo mesmo que o paciente não tenha nenhum problema de saúde.

Resultado do VHS elevado

Quando o VHS está alterado, dando um valor aumentado, pode ser indício de:

  • Diarreia;
  • Obesidade;
  • Qualquer tipo de inflamação;
  • Qualquer infecção;
  • Síndrome nefrótica;
  • Insuficiência cardíaca, hepática ou respiratória;
  • Gravidez;
  • Pancreatite aguda;
  • Vasculite – inflamação da parede dos vasos sanguíneos.

As doenças autoimunes, como a tuberculose, lúpus, câncer, artrite reumatoide e anemia severa, podem fazer com que o valor do exame aumente muito, podendo resultar em mais de 100mm/h.


Referências:

  1. COLLARES, G. B.; VIDIGAL, P. G.. Recomendações para o uso da velocidade de hemossedimentação. Revista Medica, v.14, n.1, p.14-52, 2004.
  2. Med simples.
  3. Reumatologia Avançada.
  4. TDsaúde.

 

Vinicius Mussi

Vinicius Mussi

Capixaba, graduado em Biomedicina, com especialização em Saúde Pública e mestre em Biociências e Biotecnologia pela UENF - Universidade Estadual do Norte Fluminense Darcy Ribeiro.
Vinicius Mussi

Vinicius Mussi

Capixaba, graduado em Biomedicina, com especialização em Saúde Pública e mestre em Biociências e Biotecnologia pela UENF – Universidade Estadual do Norte Fluminense Darcy Ribeiro.

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