Descoberto mecanismo de migração dos glóbulos brancos

Os glóbulos brancos, são células incolores de formato esférico que atuam na defesa do organismo agindo contra infecções, doenças, alergias, resfriados e em algumas ocasiões podem atacar os tecidos do próprio corpo, originando doenças autoimunes.

Os leucócitos são produzidos na medula óssea ou em tecidos linfoides e permanecem circulando temporariamente no sangue, onde frequentemente deixam os capilares sanguíneos e vênulas passando por entre as células endoteliais para penetrar no tecido conjuntivo adjacente por diapedese, onde muitos morrem por apoptose. Em um adulto, bilhões de leucócitos morrem diariamente e seus restos celulares são removidos pelos macrófagos.

Glóbulo branco atravessando o vaso sanguíneo. Fonte: A. Barzilai et. al. Cell Reports 18, 3 (17 January 2017) © 2017 Elsevier Inc.

Os glóbulos brancos do sangue estão constantemente “rasgando buracos” nas paredes dos vasos sanguíneos. Mas esses guardiões do sistema imunológico estão fazendo isso para te proteger: uma vez que eles atravessam a corrente sanguínea para os tecidos infectados – onde produzem anticorpos e destroem invasores estranhos – eles precisam de uma maneira de entrar. Agora os cientistas descobriram exatamente como eles fazem isso sem danificar permanentemente os vasos sanguíneos, pelos quais deslizam para dentro e para fora até 10 vezes por dia.

Para isso, os pesquisadores adicionaram marcadores fluorescentes aos núcleos dos glóbulos brancos e às fibras estruturais das paredes dos vasos sanguíneos, que impedem a entrada de partículas estranhas e selam o sangue, o plasma e as células imunes. Os pesquisadores seguiram o processo através de vídeo-microscopia, pela qual descobriram que não são as células dos vasos sanguíneos que faziam as aberturas, como se pensava anteriormente. Em vez disso, são as células imunológicas que fazem o seu próprio caminho. Ao tornar seus volumosos núcleos mais maleáveis e empurrá-los para a borda frontal de seus citoplasmas, os glóbulos brancos separam as estruturas das paredes dos vasos sanguíneos e se espremem através dela, de acordo com o trabalho publicado pelos pesquisadores na revista Cell Reports.

Este processo (visto na imagem acima) atua nas fibras menores, filiformes, que formam a estrutura flexível nas paredes dos vasos sanguíneos. As células do vaso facilmente notam essa ruptura mais tarde como parte da manutenção celular de rotina.

Os pesquisadores esperam usar sua descoberta para entender melhor como as células cancerígenas metastáticas migram para a corrente sanguínea e propagam o câncer por todo o corpo.

Matéria originalmente traduzida de Science Magazine.

Vinicius Mussi

Vinicius Mussi

Capixaba, graduado em Biomedicina, com especialização em Saúde Pública e mestre em Biociências e Biotecnologia pela UENF - Universidade Estadual do Norte Fluminense Darcy Ribeiro.
Vinicius Mussi

Vinicius Mussi

Capixaba, graduado em Biomedicina, com especialização em Saúde Pública e mestre em Biociências e Biotecnologia pela UENF - Universidade Estadual do Norte Fluminense Darcy Ribeiro.

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