Molécula da malária deixa o sangue mais atraente para os mosquitos

Os parasitas Plasmodium falciparum produzem uma molécula que torna o sangue infectado pelo parasita mais atraente para os mosquitos transmissores da malária, de acordo com trabalho publicado na Science. Os insetos ingerem esta refeição sedutora, ajudando a propagação do parasita a novos hospedeiros.

“É realmente vislumbrante e intrigante como o Plasmodium evoluiu para aumentar a sua probabilidade de transmissão”, diz Conor McMeniman, um pesquisador de mosquitos da Universidade Johns Hopkins que não fazia parte do estudo.

O parasita da malária Plasmodium falciparum (à direita) produz uma molécula que torna o sangue infectado mais atraente para os mosquitos Anopheles gambiae (à esquerda). Créditos: JAMES GATHANY/CDC; STEVEN GLENN/LABORATORY & CONSULTATION DIVISION/CDC.

Pesquisas anteriores sugerem que os mosquitos podem ser preferencialmente atraídos por pessoas infectadas pela malária, mas não ficou claro o que despertava o interesse deles. A bióloga Noushin Emami, da Universidade de Estocolmo, e seus colegas, tiveram uma surpresa inesperada ao estudar o efeito de uma molécula chamada HMBPP sobre o sistema imunológico de mosquitos Anopheles gambiae, grandes disseminadores da malária. O P. falciparum libera esta molécula na corrente sanguínea de seus hospedeiros.

Enquanto observavam os mosquitos beberem sangue de alimentadores artificiais, os pesquisadores “notaram que os mosquitos ingeriam muito mais do sangue neste sistema de alimentação artificial quando o HMBPP estava no sangue”, diz a bióloga Ingrid Faye, também da Universidade de Estocolmo. “Isso foi o que nos fez pensar que a molécula muda o comportamento do mosquito”.

O HMBPP, ou pirofosfato de (E)-4-hidroxi-3-metil-but-2-enilo, não atraiu diretamente os mosquitos. Quando foi misturado com soro, que não contém glóbulos vermelhos, os mosquitos não estavam tão interessados. Mas os glóbulos vermelhos com HMBPP adicionado liberaram mais dióxido de carbono do que os glóbulos vermelhos regulares e também produziram quantidades maiores de certos produtos químicos aéreos, chamados aldeídos e monoterpenos. Esse aroma atraiu mais mosquitos, e esses insetos ingeriram maiores refeições do que o usual.

Os mosquitos sentem o CO₂ que os humanos exalam e o usam como um sinal para encontrar comida. Portanto, faz sentido que o aumento de CO₂ atraia mais mosquitos. Aldeídos e monoterpenos – compostos também liberados por plantas – podem atrair mosquitos, fazendo os humanos cheirarem um pouco como as plantas das quais os mosquitos obtêm o néctar, diz McMeniman. Mas ainda não está claro quão fortemente a molécula atrai mosquitos para humanos infectados, diz ele.

Matéria originalmente traduzida de Science News.

Vinicius Mussi

Vinicius Mussi

Capixaba, graduado em Biomedicina, com especialização em Saúde Pública e atualmente mestrando em Biociências e Biotecnologia pela UENF - Universidade Estadual do Norte Fluminense Darcy Ribeiro.
Vinicius Mussi

Vinicius Mussi

Capixaba, graduado em Biomedicina, com especialização em Saúde Pública e atualmente mestrando em Biociências e Biotecnologia pela UENF - Universidade Estadual do Norte Fluminense Darcy Ribeiro.

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