A bioquímica do amor

Você já ouviu alguém falar “eu acho que estou apaixonado” ou “eu te amo”? Talvez você mesmo já tenha dito isso, não é? Mas você já gastou algum tempo da sua agenda ocupada para se perguntar o significado da palavra “AMOR”? Isso pode ser explicado biologicamente ou é apenas um sentimento?

Algumas pessoas realmente acreditam que o amor é uma expressão ou sentimento que não pode ser explicado e só temos que aceita-lo quando o experimentarmos. Mas aqui mergulharemos na sua perspectiva bioquímica. O amor pode ser descrito como um forte ou constante sentimento de afeição por uma pessoa (por exemplo, amor entre um casal), ou um profundo interesse e prazer em algo (por exemplo, o amor pela moda ou futebol).

Do ponto de vista bioquímico a equação do amor pode ser:

Testosterona + estrogênio + dopamina + noradrenalina + oxitocina + vasopressina = amor

A partir da equação acima podemos dizer que o processo de se apaixonar envolve alguns hormônios e neurotransmissores que podem ser concluídos como uma ação do cérebro, uma vez que todos estão ligados ao cérebro de uma forma ou outra.

A testosterona é o hormônio esteroide que, nos mamíferos, é encontrado principalmente nos testículos dos machos e nos ovários das fêmeas. Este hormônio é vital para a saúde e o bem-estar, assim como no funcionamento sexual. As fêmeas são mais sensíveis à testosterona, mas os machos produzem de 40 a 60 vezes mais desse hormônio. O estrogênio é um hormônio esteroide que funciona como o principal hormônio sexual feminino, sendo responsável por promover a formação de características sexuais secundárias femininas, retardando o crescimento em altura e muitos outros. Estes dois hormônios são os hormônios sexuais básicos nos seres humanos e são os primeiros a influenciar no processo de amor.  A próxima vez que você se apaixonar por alguém, vai saber que é culpa do estrogênio ou da testosterona.

Quando desejamos alguém, experimentamos sentimentos diferentes e mudanças de atitude ou humor. Estes podem incluir uma forte vontade de estar com a pessoa, pensar constantemente na pessoa, acelerar o batimento cardíaco, sudorese exacerbada, perda de apetite, noites sem dormir e passar horas sonhando com a pessoa. Nós também experimentamos emoções intensas quando a pessoa demonstra interesse em nós e nos sentimos para baixo quando há falta de interesse. O estágio de desejo é conhecido como o estágio de atração e os sinais químicos do cérebro que vão participar do processo são: dopamina e noradrenalina (também conhecida como norepinefrina). A dopamina é um neurotransmissor (um sinal químico) que transmite informações entre as células cerebrais chamadas neurônios, ela é conhecida como o “prazer químico”, produzindo a sensação de felicidade e é o mesmo mediador químico envolvido na dependência às drogas. Este mediador químico estimula o “desejo e a recompensa”, provocando uma intensa corrida ao prazer. Tem o mesmo efeito no cérebro que usa cocaína. A noradrenalina funciona como um hormônio e neurotransmissor, é o mediador químico do cérebro que faz com que o coração bata rápido quando se vê o objeto de desejo. Como a dopamina, a norepinefrina faz o corpo se sentir bem, mas também nos faz sentirmos apaixonados e obcecados.

Várias investigações foram realizadas para determinar a ação da dopamina e noradrenalina no processo de amor. Um estudo popular nesta área foi realizada pela Drª. Helen Fisher, uma antropóloga americana e pesquisadora de comportamento humano. Em seu estudo, ela descobriu que quando se está loucamente apaixonado, as partes do cérebro responsáveis por produzir os dois mediadores químicos, a dopamina e a noradrenalina, são ativadas. Esta experiência, entre outras, sugeriu que a dopamina e a adrenalina estão envolvidas no processo do amor e podem ser responsáveis ​​pela atração entre os amantes. Da pesquisa pode-se dizer que a dopamina e a noradrenalina produzem o sentimento “aumentado” que se experimenta quando alguém está emocionalmente ou romanticamente envolvido com outro alguém. Encontrar o amor é parte da composição humana e, portanto, pode-se dizer que o nosso cérebro realmente nos obriga a encontrar alguém com quem você possa experimentar tais sentimentos. Então, da próxima vez que você estiver preocupado e querendo saber o porque de você se sentir tão atraído por alguém, lembre-se que isso é culpa do seu cérebro. Esta etapa não é permanente, caso contrário, todos estariam sexualmente exaustos. Em breve haverá uma diminuição desses hormônios e outros hormônios farão com que essa louca paixão se transforme em amor.

VIVA O AMOR!

Matéria originalmente traduzida de Scientect 

Sanderson Calixto

Sanderson Calixto

Biólogo com ênfase em Biologia Celular e Saúde e mestrando em Biociências e Biotecnologia pela Universidade Estadual do Norte Fluminense Darcy Ribeiro - UENF. Possui experiência na área de Imunofarmacologia de Produtos Naturais com ênfase na avaliação da atividade anti-inflamatória e antimicobacteriana.
Sanderson Calixto

Sanderson Calixto

Biólogo com ênfase em Biologia Celular e Saúde e mestrando em Biociências e Biotecnologia pela Universidade Estadual do Norte Fluminense Darcy Ribeiro - UENF. Possui experiência na área de Imunofarmacologia de Produtos Naturais com ênfase na avaliação da atividade anti-inflamatória e antimicobacteriana.

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