OGM: Trangênicos, Cisgênicos e Intragênicos

Um organismo geneticamente modificado (OGM), segundo a Lei de Biossegurança (11.105/05), é um ser vivo que teve seu material genético modificado por engenharia genética. Já o termo transgênico se refere a um organismo que contém um ou mais segmentos de DNA, ou genes, que foram manipulados entre ou intraespécie. Assim, o transgênico é um tipo de OGM, mas nem todo OGM é um transgênico.

O mesmo vale para o cisgênico, que é um organismo que passou por um procedimento que envolve a tecnologia do DNA recombinante, mas com o uso de genes de espécies que podem ser cruzadas naturalmente.

Em contraste aos transgênicos, existem os intrageneses, genes híbridos que podem ter elementos genéticos de diferentes genes e loci, e usando regiões promotoras ou terminadoras diferentes, a expressão de genes pode ser modificada. Assim, existe a possibilidade de novas recombinações de genes por rearranjos in vitro de elementos genéticos funcionais.

A intragênise e a cisgênese são mais aceitas pelo público do que os transgênicos, por não envolver a recombinação entre organismos sexualmente incompatíveis e não apresentar sequências estranhas no organismo final. No entanto, a cisgênese é mais restritiva do que a intragênese. Um dos exemplos mais conhecidos de cisgenia é resultante da pesquisa para tornar batatas resistentes ao fungo patogênico Phytophthora, realizada pelo instituto Plant Research International (PRI), da Universidade de Wageningen, na Holanda. Para chegar ao resultado desejado, os pesquisadores implantaram nas batatas um gene de resistência ao fungo presente em batatas selvagens.

Os riscos são os mesmos, na criação tradicional e na tecnologia de transferência. Os cisgênicos contêm somente genes de interesse, ao contrário de culturas que foram modificadas pela criação clássica, que contêm elementos genéticos indesejáveis. Porém a aplicação da cisgênese produz resultados em apenas alguns anos de experimentação, enquanto a reprodução tradicional leva décadas para atingir uma cultivar com características desejáveis. Ex: a reprodução de maçã para resistência à escabeche levou 50 anos. 


Referências

Espinoza, C., Schlechter, R., Herreta, D., Torres E., Serrano, A., Medina, C. and Arce-Johnson, P. (2013). Cisgenesis and Intragenesis: New tools for improving crops. Biological Research, 46, pp 323-331.

Holme, I.B., Wendt, T. and Holm, P.B. (2013). Current developments of intragenic and cisgenic crops. ISB news report, Aarhus University, Faculty of Science and Technology – Department of Molecular Biology and Genetics Research Centre Flakkebjerg, DK-4200 Slagelse, Denmark.

Hou, H., Atlihan, N. and Lu, Z-X (2014). New biotechnology enhances the application of cisgenesis in plant breeding. Frontiers in plant science, 5(389), pp 1-5.

Telem, R.S., Wani, S.H., Singh, N.B., Nandini, R., Sadhukhan, R., Bhattacharya, S. and Mandal, N. (2013). Cisgenics – A sustainable approach for crop improvement. Current Genomics, 14, pp 468-476.

 

Juliana Dalbó

Juliana Dalbó

Biomédica, formada pela UNES - Faculdade do Espírito Santo, com especialização em Gestão em Saúde Pública e Meio Ambiente pela Universidade Cândido Mendes - UCAM. Atualmente cursa doutorado em Biotecnologia na Universidade do Espírito Santo pela RENORBIO - Rede Nordeste de Biotecnologia.
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Biomédica, formada pela UNES – Faculdade do Espírito Santo, com especialização em Gestão em Saúde Pública e Meio Ambiente pela Universidade Cândido Mendes – UCAM. Atualmente cursa doutorado em Biotecnologia na Universidade do Espírito Santo pela RENORBIO – Rede Nordeste de Biotecnologia.

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