A epigenética paternal deixa a sua marca nos filhos

Durante décadas, o aconselhamento pré-natal tem se concentrado principalmente em mães. Antes e durante a gravidez, é dito às mulheres para tomar suplementos de ácido fólico, parar de beber e fumar, evitar o peixe (devido ao mercúrio), ganho de peso e manter-se saudável, entre outras coisas. Esses conselhos são prescritos por médicos e especialistas em saúde pública para promover gravidezes saudáveis, um desenvolvimento fetal normal e uma criança saúde a longo prazo. O comportamento de um pai também pode influenciar na saúde de uma gravidez, expondo sua parceira ao fumo passivo ou violência doméstica, por exemplo. Mas há uma crença crescente entre os cientistas que os comportamentos de um homem e exposições ambientais podem moldar o futuro da saúde e desenvolvimento dos seus descendentes antes mesmo do espermatozoide encontrar o óvulo.

O espermatozoide possui uma memória de experiências da vida de um homem, que vai desde o seu estado nutricional até sua exposição a substâncias químicas e tóxicas. Esta informação é mostrada por alterações epigenéticas, como mostra o estudo de Skinner e colaboradores. De acordo com ele, a exposição à desregulações endócrinas e agentes tóxicos ambientais podem induzir mudanças epigenéticas no espermatozoide de roedores machos, podendo causar infertilidade e outras doenças nos seus descendentes. A informação epigenética pode ser incorporada no espermatozoide através de alterações, como metilação do DNA, mudanças nos RNAs não-codificante (ncRNA) e microRNAs (miRNAs), que estão envolvidos no silenciamento de genes e podem estar presentes no esperma.

Um estudo publicado em 2014 descobriu que os filhos de fumantes apresentaram uma média de 5 a 10 kg a mais de gordura corporal do que os adolescentes com pais não fumantes. Várias outras associações epidemiológicas entre a saúde de um pai antes da concepção e a saúde de seus filhos têm surgido. Como exemplo, um pai alcoólatra pode gerar um bebê com baixo peso ao nascer, problemas cardíacos congênitos e comprometimento cognitivo leve.

Experimentos em animais mostram as mudanças epigenéticas no espermatozoide. Ratos machos nos quais foi administrado álcool por 9 semanas antes do acasalamento, por exemplo, têm epimutações em seus espermatozóides, o que pode contribuir para a diminuição significativa no peso fetal de sua prole. Muitos outros estudos têm encontrado uma série de anomalias fisiológicas e comportamentais nas proles, incluindo peso dos órgãos alterados, aumento da ansiedade e impulsividade.

Uma série de estudos em animais demonstraram que, além de toxinas e álcool, o peso do pai e padrões alimentares, tais como a ingestão de alto teor de gordura ou de baixa dieta de proteínas, também alteram o espermatozoide. Em um estudo, foi administrada uma dieta com baixo teor de folato em camundongos machos, onde observou-se uma metilação anormal dos genes relacionados ao desenvolvimento e doenças crônicas, tais como diabetes e câncer. Outra pesquisa mostrou que homens com obesidade geraram filhos mais propensos a serem obesos do que aqueles cujos pais não eram obesos. Além disso, aumentaram os risco das filhas desenvolverem câncer de mama.

Fonte: The JAMA Network

Juliana Dalbó

Juliana Dalbó

Biomédica, formada pela UNES - Faculdade do Espírito Santo, com especialização em Gestão em Saúde Pública e Meio Ambiente pela Universidade Cândido Mendes - UCAM. Atualmente cursa doutorado em Biotecnologia na Universidade do Espírito Santo pela RENORBIO - Rede Nordeste de Biotecnologia.
Juliana Dalbó

Juliana Dalbó

Biomédica, formada pela UNES - Faculdade do Espírito Santo, com especialização em Gestão em Saúde Pública e Meio Ambiente pela Universidade Cândido Mendes - UCAM. Atualmente cursa doutorado em Biotecnologia na Universidade do Espírito Santo pela RENORBIO - Rede Nordeste de Biotecnologia.

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