Uma alteração cerebral por aumento da repressão epigenética está relacionada ao gênero

Durante o desenvolvimento pré-natal, os hormônios sexuais podem determinar se o cérebro irá adquirir características femininas ou masculinas. Uma descoberta publicada na revista Nature Neuroscience descreve como o estradiol, um derivado da testosterona, pode desencadear um mecanismo pelo qual certos genes do cérebro são ativados, permitindo que eles iniciem o processo de masculinização.

A pesquisa, realizada em ratos, descobriu um efeito primário dos esteroides gonadais de reduzir a atividade das enzimas DNA metiltransferase (DNMT) na área pré-óptica (APO), altamente dimórfica sexualmente, diminuindo assim a metilação do DNA e liberando genes masculinizantes da repressão epigenética. Os pesquisadores injetaram inibidores de DNMT na APO em uma área cerebral conhecida por estar envolvida no controle do comportamento sexual masculino, após a primeira semana de nascimento e a janela de diferenciação sexual cerebral ter sido fechada. Os resultados mostraram que a APO nos animais transformou-se e assumiu características estruturais de um rato masculino e as fêmeas exibiram comportamentos sexual típico de ratos machos.

Em outro experimento, os cientistas deletaram o gene DNMT em camundongos fêmeas, que também apresentaram padrões de comportamento masculino. A inibição farmacológica de DNMTs imitava esteróides gonadais, resultando em marcadores neuronais masculinizados e comportamento sexual masculino em fêmeas. Em pesquisas anteriores, foi encontrado diferenças sexuais e de gênero nos níveis de uma proteína associada à aquisição e desenvolvimento da linguagem. Esse achado pode estar associado a maiores níveis de comunicação entre as mulheres em algumas espécies.

Curiosamente, o último estudo também descobriu que as células imunes inflamatórias, conhecidas como microglia, parecem desempenhar um papel na masculinização, através da produção de prostaglandinas, um neuroquímico normalmente associado a doenças. Nos últimos anos, os cientistas têm percebido cada vez mais que o sistema imunológico é parte integrante do desenvolvimento do cérebro. A descoberta atual é outra peça nesse enigma, que mostrou que as enzimas DNMT controlam a expressão de genes que desempenham um papel na inflamação e imunidade, e também na diferenciação sexual do cérebro. Fisicamente, os animais eram do sexo feminino, mas em seu comportamento reprodutivo, eles eram do sexo masculino. O sequenciamento de RNA revelou variantes de genes e isoformas moduladas pela metilação que podem estar subjacentes aos comportamentos reprodutivos divergentes dos machos e fêmeas.

Adaptado de Genetic Engineering & Biotechnology News.

Juliana Dalbó

Juliana Dalbó

Biomédica, formada pela UNES - Faculdade do Espírito Santo, com especialização em Gestão em Saúde Pública e Meio Ambiente pela Universidade Cândido Mendes - UCAM. Atualmente cursa doutorado em Biotecnologia na Universidade do Espírito Santo pela RENORBIO - Rede Nordeste de Biotecnologia.
Juliana Dalbó

Juliana Dalbó

Biomédica, formada pela UNES - Faculdade do Espírito Santo, com especialização em Gestão em Saúde Pública e Meio Ambiente pela Universidade Cândido Mendes - UCAM. Atualmente cursa doutorado em Biotecnologia na Universidade do Espírito Santo pela RENORBIO - Rede Nordeste de Biotecnologia.

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