Novo teste pode melhorar o diagnóstico de câncer de pâncreas

A detecção precoce do câncer de pâncreas é difícil, e o diagnóstico precoce facilita o tratamento. Um novo estudo descreve um exame de sangue que pode ajudar no diagnóstico de câncer de pâncreas e, algum dia, tornar possível a triagem prévia, de acordo com os autores.

O trabalho, publicado na revista Science Translational Medicine, diz que o teste detecta uma combinação de cinco proteínas tumorais que parecem ser uma assinatura confiável da doença. Em pacientes submetidos à cirurgia pancreática ou abdominal, o teste e teve uma precisão de 84% em detectar aqueles que tiveram câncer de pâncreas.

“O que é  excitante no estudo é que ele favorece a crença de que um biomarcador por si só pode não ser capaz de identificar com sucesso uma doença”, diz Raghu Kalluri, biólogo do câncer da University of Texas MD Anderson Cancer Center, em Houston – EUA, que não estava envolvido no estudo. Ao colocar os cinco biomarcadores de proteínas juntos, ele diz: “o poder da análise pode ser melhor na diferenciação entre indivíduos saudáveis ​​e com câncer de pâncreas”.

O Instituto Nacional de Câncer americano (o National Cancer Institute, ou NCI) estima que, em 2017, haverá mais de 53.000 novos casos de câncer de pâncreas nos Estados Unidos e pouco mais de 43.000 mortes pelo câncer. Os indivíduos com a forma mais comum de câncer de pâncreas (o adenocarcinoma ductal do pâncreas) têm uma taxa de sobrevida em 5 anos menor que 10%, o que significa que menos de 10% dos pacientes vivem pelo menos 5 anos após o diagnóstico da doença. O câncer geralmente é diagnosticado tardiamente porque os sintomas, incluindo perda de peso e dor abdominal, muitas vezes não surgem até que o câncer tenha se espalhado. E a tecnologia de imagem atual não pode detectar o câncer no início, de acordo com o cientista César Castro, um oncologista translacional do Massachusetts General Hospital, em Boston.

“A necessidade não atendida aqui é encontrar alguma outra forma de detecção antes que um câncer cresça o suficiente para que a tomografia computadorizada o detecte”, diz Castro.

Na busca de melhores métodos de detecção, os pesquisadores voltaram-se para vesículas extracelulares derivadas de tumor – pequenas bolsas liberadas por células tumorais que circulam na corrente sanguínea. As bolsas “são quase como miniaturas” do tumor original, diz Castro, porque elas contêm proteínas e material genético que geralmente combinam com o tumor.

Os pesquisadores selecionaram cinco biomarcadores promissores de proteínas de vesículas extracelulares derivadas de tumor. Usando um chip de silicone coberto com anticorpos e nanoporos esportivos, a equipe testou o quão bem esses biomarcadores sinalizavam a presença de câncer de pâncreas em amostras de plasma de pacientes. Quando a luz que brilha através dos poros encontrou as vesículas extracelulares, ligadas ao chip por causa da interação entre os biomarcadores de proteínas e os anticorpos, o comprimento de onda da luz mudou – sinalizando a presença de um tumor.

Em amostras de plasma retiradas de 43 pacientes, antes de serem submetidos a uma cirurgia relativa a problema no pâncreas ou no abdômen, o painel de cinco biomarcadores conseguiu distinguir o adenocarcinoma ductal pancreático dos casos de pancreatite – uma inflamação do pâncreas – e dos cistos benignos, bem como das amostras dos pacientes controles. Uma biópsia após as cirurgias confirmaram os resultados.

Usando seu dispositivo de detecção, os pesquisadores relataram que os cinco biomarcadores combinados identificaram corretamente em 84% dos casos se um paciente apresentava adenocarcinoma ductal pancreático ou não. A maior precisão para qualquer um destes biomarcadores usado sozinho foi de apenas 70%.

O próximo passo é testar em pacientes com alto risco de câncer de pâncreas e, eventualmente, aqueles que são saudáveis, para ver se esses biomarcadores são eficazes na triagem precoce.

Matéria originalmente traduzida da revista Science News.

Vinicius Mussi

Vinicius Mussi

Capixaba, graduado em Biomedicina, com especialização em Saúde Pública e mestre em Biociências e Biotecnologia pela UENF - Universidade Estadual do Norte Fluminense Darcy Ribeiro.
Vinicius Mussi

Vinicius Mussi

Capixaba, graduado em Biomedicina, com especialização em Saúde Pública e mestre em Biociências e Biotecnologia pela UENF – Universidade Estadual do Norte Fluminense Darcy Ribeiro.

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