Risco familiar e herdabilidade do câncer entre gêmeos

Os gêmeos idênticos são formados quando um óvulo fecundado por um espermatozoide se divide em duas células completas que continuam o seu desenvolvimento embrionário, formando dois gêmeos idênticos, possuindo o mesmo genoma e por isso tendo o mesmo sexo. Eles dividem a mesma placenta e são morfologicamente idênticos. Já os gêmeos não idênticos ou fraternos são provenientes de óvulos diferentes. Durante uma ovulação, uma mulher libera dois ou mais óvulos e cada um é fecundado por um espermatozoide. Os zigotos formados vão se desenvolver independentes um do outro, em placentas diferentes, e o genoma de ambos são diferentes.

Um estudo publicado na revista JAMA, utilizando 200.000 irmãos gêmeos, idênticos ou não, nascidos ao mesmo tempo na Dinamarca, Finlândia, Noruega e Suécia, com acompanhamento de 32 anos entre os anos de 1943 a 2010. Neste estudo analisou-se a hereditariedade do câncer e a proporção da variação do risco de câncer de uma população que se deve a fatores genéticos.

O estudo mostra que em 3.300 duplas de gêmeos os dois irmãos desenvolveram um câncer ao longo de sua vida. Foi o mesmo tipo de câncer em 38% dos irmãos gêmeos idênticos e em 26% dos não idênticos. Nos outros casos, os irmãos sofreram tipos de tumores diferentes. Os resultados sugerem, pela primeira vez, que em algumas famílias, existe um risco maior de sofrer qualquer tipo de câncer.

Os pesquisadores detectaram uma hereditariedade significativa sem melanoma (58%), câncer de próstata (57%), câncer de pele não melanoma (43%), de ovário (39%), rim (38%), mama (31% ) e de útero (27%). Segundo o estudo, 37% dos gêmeos não idênticos tem uma probabilidade de desenvolver câncer se um dos irmãos já o desenvolveu, e se forem gêmeos idênticos, o risco sobe para 46%. Em geral, 32% das pessoas estudadas sofreram um tipo de câncer durante sua vida, uma porcentagem considerada normal.


Referência:

MUCCI, Lorelei A. et al. Risco familiar e herdabilidade do câncer entre gêmeos nos países nórdicos. JAMA, v. 315, n. 1, p. 68-76, 2016.

 

Juliana Dalbó

Juliana Dalbó

Biomédica, formada pela UNES - Faculdade do Espírito Santo, com especialização em Gestão em Saúde Pública e Meio Ambiente pela Universidade Cândido Mendes - UCAM. Atualmente cursa doutorado em Biotecnologia na Universidade do Espírito Santo pela RENORBIO - Rede Nordeste de Biotecnologia.
Juliana Dalbó

Juliana Dalbó

Biomédica, formada pela UNES - Faculdade do Espírito Santo, com especialização em Gestão em Saúde Pública e Meio Ambiente pela Universidade Cândido Mendes - UCAM. Atualmente cursa doutorado em Biotecnologia na Universidade do Espírito Santo pela RENORBIO - Rede Nordeste de Biotecnologia.

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