Proteína presente no Parkinson provoca o sistema imunológico

Pedaços de uma proteína que se acumulam na doença de Parkinson desencadeiam resposta imunológica, fazendo com que o sistema imune as marque como invasoras.

Em um exame de sangue, células imunes chamadas de células T se ativaram quando expostas à proteína em cerca de 40% dos pacientes com Parkinson, de acordo com um novo estudo. Essa resposta auto-imune pode contribuir para a progressão da doença, como relataram os pesquisadores na revista Nature.

Distúrbios neurodegenerativos como o Parkinson “não foram realmente considerados transtornos auto-imunes”, diz o co-autor David Sulzer, neurocientista da Universidade de Columbia e do Instituto de Psiquiatria do Estado de Nova York, nos EUA. “Os dados indicam fortemente que é melhor analisar as respostas auto-imunes como pelo menos um dos links na cadeia do desenvolvimento de Parkinson”.

Os cientistas não sabem exatamente o que causa o Parkinson, mas durante a doença, muitas células nervosas localizadas em uma região do cérebro chamada de substância negra morrem. Esses neurônios liberam dopamina, um mensageiro químico que é enviado para outras partes do cérebro para coordenar os movimentos. Pequenas gotas conhecidas como corpos de Lewy, principalmente compostas de uma proteína chamada alfa-sinucleína, também se acumulam nesses neurônios.

Uma das funções do sistema imunológico é distinguir entre os próprios componentes do corpo e substâncias estranhas, como bactérias e vírus. Certos tipos de células imunes capturam proteínas e as apresentam às células T, que as descobrem, como se dissessem “É isso mesmo? Ou não é? Isso vem de bactérias, um vírus ou algum tipo de invasor?”, diz Sulzer. Nos transtornos auto-imunes, o sistema imunológico cometeu um erro no julgamento.

Sulzer e colegas já descobriram que os neurônios da substância negra que liberam dopamina podem apresentar proteínas às células T, se for dado um sinal do sistema imunológico. Se o corpo não pode degradar adequadamente a alfa-sinucleína, algumas dessas proteínas que se acumulam nas células nervosas podem acabar sendo apresentadas às células T, o que pode ser visto “como não sendo próprias do organismo, mesmo que elas venham de você”, diz Sulzer. No novo estudo, os pesquisadores testaram uma resposta imune a dois trechos pequenos e diferentes da proteína alfa-sinucleína usando amostras de sangue de 67 pessoas com Parkinson e 36 pessoas saudáveis.

Esta micrografia mostra como a proteína alfa-sinucleína (em vermelho) se acumula em células nervosas (azul) em cérebros afetados pela doença de Parkinson. O sistema imunológico pode reagir a partes dessa proteína, de acordo com esse novo estudo. Créditos: ROGER J. BICK & MYA C. SCHIESS/UT-HOUSTON MEDICAL SCHOOL/SCIENCE SOURCE.

De fato, os dois pedaços de alfa-sinucleína foram essencialmente reconhecidos como estranhos pelas células T em pacientes com Parkinson, diz Sulzer. Ele especula que a resposta auto-imune contribui para a progressão da doença, em vez de iniciá-la, pois é desencadeada pela incapacidade de quebrar corretamente a alfa-sinucleína.

“Como com qualquer bom estudo, há mais perguntas do que respostas”, diz o neurocientista Andrew West, da Universidade do Alabama – EUA. Assumindo que o trabalho pode ser replicado em outros pacientes com Parkinson, as perguntas são: “quando essas mudanças na ativação de células imunes se tornam evidentes? No início da doença, ou mais tarde?”, ele diz.

Matéria traduzida da revista Science.

Vinicius Mussi

Vinicius Mussi

Capixaba, graduado em Biomedicina, com especialização em Saúde Pública e mestre em Biociências e Biotecnologia pela UENF - Universidade Estadual do Norte Fluminense Darcy Ribeiro.
Vinicius Mussi

Vinicius Mussi

Capixaba, graduado em Biomedicina, com especialização em Saúde Pública e mestre em Biociências e Biotecnologia pela UENF - Universidade Estadual do Norte Fluminense Darcy Ribeiro.

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