Cigarro eletrônico aumenta o risco de doença cardíaca

Os cigarros eletrônicos podem aumentar o risco de doenças cardíacas, de acordo com relatório da Universidade da Califórnia em Los Angeles – UCLA, nos Estados Unidos.

A equipe descobriu que dois fatores de risco para doença cardíaca aumentaram em 16 usuários de cigarros eletrônicos, em comparação com outras 18 pessoas não fumantes.

“O padrão era exato” ao que foi visto em pacientes que tiveram ataque cardíaco e naqueles que possuíam doenças cardíacas e diabetes, diz o cardiologista Holly Middlekauff, co-autor do estudo publicado na revista JAMA Cardiology.

Pelo fato do estudo ter analisado apenas um pequeno número de pessoas, os resultados não são definitivos – apenas dois ou três pacientes já podem distorcer os resultados, adverte John Ambrose, um cardiologista da Universidade da Califórnia. Além disso, ele diz, que alguns dos usuários de cigarros eletrônicos do estudo costumavam fumar tabaco, o que pode ter influenciado os dados.

Mesmo assim, Ambrose chamou o estudo de interessante, observando que “a comunidade médica simplesmente não tem informações suficientes” para afirmar se os cigarros eletrônicos são perigosos.

Os usuários de cigarros eletrônicos do estudo apresentaram padrões de batimentos cardíacos que indicavam níveis elevados de adrenalina – também conhecida como epinefrina – no coração, um sinal de risco de doença cardíaca. Os pesquisadores também encontraram sinais de aumento do estresse oxidativo, um desequilíbrio de certas moléculas protetoras que podem causar o endurecimento e o estreitamento das artérias.

Pesquisas anteriores relacionaram o estresse oxidativo com os cigarros eletrônicos. O novo estudo abordou onde isso poderia ocorrer e como poderia contribuir para o surgimento de doenças cardíacas, diz Aruni Bhatnagar, da American Heart Association Tobacco Regulation and Addiction Center, com sede na Universidade de Louisville, nos EUA.

Este estudo “acrescenta o fato de que pode haver algum dano residual associado aos cigarros eletrônicos”, diz Bhatnagar. Estudos anteriores ligaram cigarros eletrônicos à inflamação pulmonar e examinaram a toxicidade do vapor do cigarro eletrônico.

A nicotina, substância aditiva encontrada no tabaco e em cigarros eletrônicos, é conhecida por elevar os níveis de adrenalina. Para garantir que eles estavam medindo os efeitos a longo prazo do vapor e não apenas a presença de nicotina, os pesquisadores fizeram com que os pacientes analisados se abstivessem de usar os cigarros eletrônicos no dia dos testes.

As descobertas são importantes, diz Middlekauff, porque mostram que o coração dos usuários de cigarros eletrônicos estão no modo de “vôo ou luta” o tempo todo e não apenas quando fumam.

O próximo passo é identificar o que exatamente nos cigarros eletrônicos são responsáveis ​​por esses efeitos no coração, diz Middlekauff. Os pesquisadores também querem comparar os efeitos dos cigarros eletrônicos e dos cigarros de tabaco no coração.

“Os cigarros eletrônicos não são inofensivos”, diz Middlekauff. “Eles têm efeitos fisiológicos reais e mensuráveis ​​e esses efeitos fisiológicos, pelo menos os que encontramos, foram associados a doenças cardíacas”.

Matéria traduzida da revista Science News.

Vinicius Mussi

Vinicius Mussi

Capixaba, graduado em Biomedicina, com especialização em Saúde Pública e mestre em Biociências e Biotecnologia pela UENF - Universidade Estadual do Norte Fluminense Darcy Ribeiro.
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