O que as plantas e os animais fazem durante um eclipse?

Muitos relatos de eclipses solares incluem contos de animais que se comportam estranhamente: as aves ficam em silêncio e as abelhas retornam à colmeia.

“Há uma série de evidências anedóticas de como os animais e até as plantas respondem a esse fenômeno”, quando a lua bloqueia completamente o Sol, disse Elise Ricard, porta-voz de um projeto sobre eclipses chamado Life Responds, na Academia de Ciências da Califórnia, em São Francisco, EUA.

Talvez o primeiro registro sobre o caso tenha vindo de um eclipse total que aconteceu ano de 1544, quando “as aves deixaram de cantar”. Em um outro eclipse, no ano de 1560, é relatado que “os pássaros caíram no chão”. No século passado, os cientistas tentaram abordar a questão sistematicamente.

A Sociedade de História Natural de Boston coletou observações durante um eclipse de 1932 que cruzou partes das regiões do Maine, New Hampshire e Vermont (nos EUA), marcando o que eles acreditavam ser “o primeiro estudo abrangente e cientificamente conduzido do comportamento da vida animal durante um eclipse total”. Os grilos cricrilaram e os sapos coaxaram, relataram voluntários do estudo. As abelhas retornaram às colmeias e as galinhas para os poleiros.

Estudos nos anos 60 e 70 relataram que pequenos crustáceos e zooplâncton sensíveis à luz nadaram em direção à superfície durante eclipses, semelhante à forma que alguns pequenos animais noturnos se comportam durante a noite. Um eclipse em 1991 levou as aranhas tecelãs a retirarem suas redes de teias, como fazem durante a noite. E durante um eclipse anular em 1984, quando a lua bloqueou quase todo o Sol, deixando apenas um anel de luz brilhante no céu, os chimpanzés cativos escalaram uma estrutura de escalada e encararam o Sol bloqueado.

Foi observado as aranhas tecelãs recolhendo suas redes de teias durante um eclipse, assim como fazem todas as noites. Créditos: JUNKYARDSPARKLE/WIKIMEDIA COMMONS (CC0 1.0).

Essas observações são instigantes, mas limitadas. Isso poderia mudar com o próximo eclipse. A “onipresença” dos smartphones significa que uma pesquisa feita com informações registradas por diversas pessoas – particularmente durante o eclipse – pode incluir maiores e melhores observações coordenadas.

Este ano, a Academia de Ciências da Califórnia está solicitando aos cidadãos cientistas para registrarem suas observações de qualquer animal que eles vejam, usando o aplicativo da Academia de Ciências chamado  iNaturalist . A equipe espera obter um número maior de descrições de diversas espécies, cobrindo uma área geográfica maior do que qualquer eclipse anterior.

“Estamos procurando observações de qualquer lugar dos Estados Unidos”, diz Ricard. Ela quer saber como os animais selvagens reagirão, mesmo que estejam apenas experimentando um eclipse parcial.

Matéria originalmente traduzida da revista Science News.

Vinicius Mussi

Vinicius Mussi

Capixaba, graduado em Biomedicina, com especialização em Saúde Pública e mestre em Biociências e Biotecnologia pela UENF - Universidade Estadual do Norte Fluminense Darcy Ribeiro.
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