Cientistas revelam como a medula espinhal comunica o desconforto das picadas de insetos ao cérebro

O desconforto de uma mordida de mosquito ou uma reação alérgica ativa as células nervosas sensíveis à coceira na medula espinhal. Esses neurônios conversam com uma estrutura que está perto da base do cérebro, chamada núcleo parabraquial, de acordo com uma pesquisa publicada na revista Science. É uma região que é conhecida por receber informações sobre outras sensações, como dor e sabor.

A descoberta leva os pesquisadores um passo mais perto de descobrir onde os sinais da coceira finalmente acabam. “O núcleo parabraquial é apenas o primeiro centro de retransmissão dos sinais de coceira a caminho do cérebro”, diz o co-autor do estudo, Yan-Gang Sun, neurocientista da Academia Chinesa de Ciências, em Xangai.

Compreender a maneira como esses sinais são processados ​​pelo cérebro poderia algum dia proporcionar alívio para pessoas com coceira crônica, diz Sun. Enquanto a picada temporária de uma mordida de insetos é irritante, a longo prazo, “a coceira incontrolável pode causar danos graves à pele”.

Estudos anteriores analisaram a forma como uma coceira se assenta na pele ou como os neurônios transmitem essas sensações à medula espinhal. Mas a forma como esses sinais viajam para o cérebro tem sido uma questão mais complicada, e essa pesquisa é um passo importante para respondê-la, diz Zhou-Feng Chen, diretor do Centro para o Estudo da Coceira na Escola de Medicina da Universidade de Washington, em St . Louis.

Uma pesquisa anterior sugeriu que uma rede de neurônios na medula espinhal leva os sinais de coceira. Mais especificamente, neurônios da coluna vertebral que produzem uma proteína chamada receptor de peptídeo liberador de gastrina mostraram ser importantes na sinalização da coceira. Mas a equipe de Sun mostrou que esses neurônios não se ligaram diretamente ao núcleo parabraquial laterial (ou NPBL), e sim a outros neurônios que enviam mensagens ao NPBL.

De acordo com a equipe de Sun, quando os camundongos receberam injeções de um medicamento que induz a coceira alérgica, os roedores apresentaram maior atividade nos neurônios que conectam a medula espinhal ao NPBL. Em outro experimento, os pesquisadores fizeram com que os neurônios que iam para o NPBL ficassem sensíveis à luz, e usaram luz para impedir que esses neurônios enviassem mensagens. Quando essas células nervosas estavam bloqueadas, os camundongos se coçaram menos ao receber a droga que causava a coceira.

É muito cedo para dizer se os sinais de coceira nos seres humanos seguem a mesma rota – ou se todos os tipos de coceiras seguem o mesmo caminho. Uma coceira alérgica é diferente do tipo de coceira que vem de uma leve picada de inseto, e as duas podem ser tratadas de forma diferente pelo cérebro. E os camundongos, ao contrário dos humanos, não conseguem realmente descrever como eles estão sentindo a coceira. Então, os cientistas têm que confiar em pistas, como arranhões (uma reação a uma coceira), e não em uma medida direta da própria sensação. O que levanta a questão: se você não sentir vontade de coçar uma coceira, a coceira está realmente aí?

Matéria originalmente traduzida da revista Science News.

Vinicius Mussi

Vinicius Mussi

Capixaba, graduado em Biomedicina, com especialização em Saúde Pública e mestre em Biociências e Biotecnologia pela UENF - Universidade Estadual do Norte Fluminense Darcy Ribeiro.
Vinicius Mussi

Vinicius Mussi

Capixaba, graduado em Biomedicina, com especialização em Saúde Pública e mestre em Biociências e Biotecnologia pela UENF – Universidade Estadual do Norte Fluminense Darcy Ribeiro.

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