Uma nova ferramenta pode ajudar no diagnóstico da doença de Lyme

Um novo método de teste pode distinguir o fase inicial da doença de Lyme e outras doenças similares transmitidas por carrapato. A abordagem pode um dia se tornar um teste de diagnóstico confiável para Lyme, uma doença que pode ser difícil de identificar.

Usando amostras de soro sanguíneo do paciente, o teste diferenciou com precisão o inicio da doença de Lyme de uma doença semelhante, associada ao carrapato do sul, ou STARI, em aproximadamente 98% das vezes. Quando a comparação também incluiu amostras de pessoas saudáveis, o método identificou com precisão o início da doença de Lyme em 85% das vezes, superando a taxa do teste comum para Lyme, que é de 44%, de acordo com publicação na revista Science Translational Medicine. O teste baseia-se em pistas encontradas no aumento e na queda da quantidade de moléculas que desempenham um papel na resposta imune.

“Do ponto de vista do diagnóstico, isso pode ser muito útil, eventualmente”, diz Mark Soloski, um imunologista da Johns Hopkins Medicine, que não estava envolvido no estudo. “Esse é um grande negócio”, diz ele, especialmente em áreas como o meio do Atlântico, onde a doença de Lyme e o STARI se sobrepõem.

Nos Estados Unidos, a doença de Lyme é causada principalmente pela infecção da bactéria Borrelia burgdorferi, que é espalhada pela picada de um carrapato que possui pernas pretas. Cerca de 300 mil casos da doença de Lyme ocorrem a nível nacional a cada ano. Os pacientes costumam desenvolver erupção cutânea, febre, calafrios, fadiga e dores. Os carrapatos de pernas pretas vivem no meio Atlântico, nordeste e norte dos Estados Unidos, e o carrapato ocidental de pernas pretas reside na costa do Pacífico.

Pode ser difícil realizar um diagnóstico preciso no início da doença, diz o imunologista Paul Arnaboldi, do New York Medical College, nos EUA, que não estava envolvido no estudo. A doença de Lyme é diagnosticada com base na erupção cutânea, nos sintomas e na exposição ao carrapato. Mas outras doenças têm sintomas semelhantes, e a erupção cutânea pode ser de difícil diferenciação. Um teste de anticorpos para o patógeno do Lyme pode auxiliar o diagnóstico, mas funciona somente após o paciente ter desenvolvido uma resposta imune à doença.

O STARI, espalhado pelo carrapato estrela solitária, pode começar com sintomas tímidos e similares, embora tipicamente mais leves. O patógeno responsável pelo STARI ainda é desconhecido, embora a bactéria B. Burgdorferi tenha sido descartada. Até agora, o STARI não foi associado a artrite ou outros sintomas crônicos ligados a Lyme, embora o carrapato estrela solitário tenha sido associado a uma alergia séria à carne vermelha.

John Belisle, um microbiologista da Colorado State University, também nos EUA, e seus colegas já demonstraram que um teste baseado em pequenas moléculas relacionadas ao metabolismo poderia distinguir entre a fase inicial da doença de Lyme e amostras saudáveis ​​de soro. “Pense nisso como uma impressão digital”, diz ele. O método se baseia em alterações na quantidade de metabólitos, como açúcares, lipídios e aminoácidos, envolvidos na inflamação.

No novo trabalho, Belisle e colegas avaliaram as diferenças nos níveis de metabólitos em amostras de soro de pacientes com Lyme e STARI. Os pesquisadores desenvolveram então uma “impressão digital” baseada em 261 pequenas moléculas para diferenciar as duas doenças. Para determinar a precisão, eles testaram outro conjunto de amostras de pacientes com Lyme e STARI, bem como aquelas de pessoas saudáveis. “Nós conseguimos distinguir os três grupos”, diz Belisle.

Como teste de diagnóstico, “acho que a abordagem foi promissora”, diz Arnaboldi. Mas serão necessárias mais pesquisas para verificar se o método pode diferenciar o início da doença de Lyme, o STARI e outras doenças transmitidas por carrapatos em pacientes com doenças desconhecidas.

Ter informações sobre os metabólitos abundantes no STARI também pode ajudar os pesquisadores a aprender mais sobre esta doença, diz Soloski. “Isso vai estimular muitos estudos futuros”.

Matéria originalmente traduzida da revista Science News.

Vinicius Mussi

Vinicius Mussi

Capixaba, graduado em Biomedicina, com especialização em Saúde Pública e mestre em Biociências e Biotecnologia pela UENF - Universidade Estadual do Norte Fluminense Darcy Ribeiro.
Vinicius Mussi

Vinicius Mussi

Capixaba, graduado em Biomedicina, com especialização em Saúde Pública e mestre em Biociências e Biotecnologia pela UENF – Universidade Estadual do Norte Fluminense Darcy Ribeiro.

%d blogueiros gostam disto: