Verme ancestral marinho possuía um grande número de “garras” em torno da boca

Os vermes predatórios marinhos simplesmente não são tão espinhosos como costumavam ser.

Estes vermes alongados, que compõem o filo Chaetognatha, destroçam suas presas com garras que se projetam ao redor de sua boca, semelhantes às do Wolverine. Pesquisadores descobriram que uma espécie recentemente identificada de um ancestral de um verme alongado era fortemente armada com presas. Chamado de Capinatator praetermissus, o predador tinha cerca de 50 espinhos dorsais, mais do que o dobro da maioria dos seus parentes modernos. Dispostos em dois crescentes, os espinhos poderiam se fechar para capturar pequenos invertebrados.

Mais de 100 espécies de Chaetognathas ainda existem nos dias de hoje, mas a evidência de seus parentes antigos é irregular. C. praetermissus viveu há um pouco mais de 500 milhões de anos atrás, durante o período Cambriano e foi identificado a partir de 49 espécimes encontradas no Folhelho Burgess, local rico em fósseis, na Colúmbia Britânica, de acordo com o trabalho publicado na revista Current Biology. Muitas vezes, apenas as garras formadas por espinhos aparecem no registro fóssil, sem o tecido macio. Mas muitos dos novos achados tem esse tecido preservado, o que forneceu pistas sobre o tamanho e a forma do corpo deles.

O rosto espinhoso de um verme marinho bizarro chamado Capinatator praetermissus foi visto neste fóssil de aproximadamente 500 milhões de anos (esquerda) no Canadá. Os espinhos curvados como garras (desenho de topo, no canto superior direito) e presas na cabeça em torno da boca (inferior direita). Créditos: D.E.G. BRIGGS AND J.-B. CARON/CURRENT BIOLOGY 2017.

C. praetermissus era diferente o suficiente dos outros Chaetognathas para ser rotulado não apenas como uma nova espécie, mas também como um novo gênero. O animal estava na extremidade maior da escala para vermes alongados: tem cerca de 10 centímetros da espinha para cauda. E enquanto os vermes alongados atuais têm dentes para triturar sua refeição depois de capturá-la, esta espécie antiga parece ser desdentada.

Mas as garras desses vermes alongados, que são encontradas mais perto da boca, são bastante semelhantes à espinhos, diz o co-autor do estudo, Derek Briggs, paleontólogo da Universidade de Yale. Os espinhos mais curtos vistos em algumas espécimes antigas poderiam ter funcionado um pouco como dentes e podem ter sido um passo evolutivo precoce em direção ao desenvolvimento dentário, propõe Briggs.

Matéria originalmente traduzida da revista Science News.

Vinicius Mussi

Vinicius Mussi

Capixaba, graduado em Biomedicina, com especialização em Saúde Pública e mestre em Biociências e Biotecnologia pela UENF - Universidade Estadual do Norte Fluminense Darcy Ribeiro.
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