Se você tem até 35 anos, seus genes podem prever se a vacina contra a gripe funcionará

Em pessoas com menos de 35 anos, nove genes estão associados a uma forte resposta imune à vacina contra a gripe, de acordo com um novo estudo. Se esses genes fossem altamente ativos antes da vacinação, um indivíduo geraria um alto nível de anticorpos após a vacinação, independentemente da cepa do vírus da gripe utilizada na vacina, de acordo com os pesquisadores na revista Science Immunology. Essa resposta pode ajudar uma pessoa a evitar a gripe.

A equipe de pesquisa também tentou encontrar um conjunto de genes preditivos em pessoas com idades à partir de 60 anos – um grupo que inclui indivíduos mais propensos a desenvolver complicações graves relacionadas à gripe, como a pneumonia – mas falhou. Mesmo assim, o estudo é “um passo na direção correta”, diz Elias Haddad, imunologista da Faculdade de Medicina da Universidade Drexel, na Filadélfia – EUA, que não participou da pesquisa.

Os Centros para o Controle e Prevenção de Doenças nos EUA estimam que a vacinação preveniu 5,1 milhões de pessoas contra a gripe na temporada de 2015-2016. Tomar uma vacina contra a gripe é a melhor forma de se manter saudável  quanto à doença, mas “o problema é que não sabemos o que faz uma vacinação ser bem-sucedida”, diz Purvesh Khatri, um imunologista computacional da Faculdade de Medicina da Universidade de Stanford. “O sistema imunológico é muito pessoal”.

Então Khatri e seus colegas se perguntaram se havia algum estado imunológico em que o indivíduo deveria estar para responder melhor à vacina contra a gripe. Assim, os pesquisadores procuraram um sinal genético comum em amostras de sangue de 175 pessoas com diferentes origens genéticas, de diferentes locais nos Estados Unidos e que receberam a vacina contra a gripe em diferentes estações do ano. Depois de identificar o conjunto de genes preditivos, a equipe usou outra coleção de 82 amostras para confirmar se foi prevista com precisão uma forte resposta à gripe. A utilização de uma variedade de amostras torna mais provável que a “bola de cristal” funcione para a diversidade de pessoas do mundo real, diz Khatri.

Os nove genes identificados produzem proteínas que exercem diversas funções, incluindo a direção do movimento de outras proteínas e a estrutura das células. Pesquisas anteriores sobre esses genes correlacionaram alguns deles ao sistema imunológico, mas não a outros. Khatri espera que o estudo estimule as investigações sobre como os genes promovem uma resposta bem sucedida à vacina. Descobrir como aumentar a ação dos genes pode ajudar aqueles que não respondem fortemente à vacina contra a gripe, diz Khatri.

Quanto a encontrar uma “bola de cristal genética” para adultos idosos, “ainda há esperança de que possamos”, diz outro membro da equipe, Raphael Gottardo, um biólogo computacional no Fred Hutchinson Cancer Research Center, em Seattle – EUA. As formas como as pessoas mais velhas respondem à vacina contra a gripe são ainda mais diversas, quando comparadas às pessoas mais jovens, diz ele, então isso pode necessitar de um grupo maior de amostras para encontrar um fio genético comum.

Mais pesquisas também são necessárias para saber se os genes identificados vão prever uma resposta efetiva para todas as vacinas, ou apenas contra a gripe, diz Haddad. “Há um longo caminho a percorrer aqui”.

Matéria traduzida da revista Science News.

Vinicius Mussi

Vinicius Mussi

Capixaba, graduado em Biomedicina, com especialização em Saúde Pública e mestre em Biociências e Biotecnologia pela UENF - Universidade Estadual do Norte Fluminense Darcy Ribeiro.
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