Açúcares no leite materno podem combater diretamente bactérias nocivas

Os cientistas podem ter encontrado uma nova e doce maneira de lutar contra o Streptococcus do Grupo B. Os açúcares no leite materno de algumas mulheres agiram contra as colônias dessas bactérias potencialmente nocivas em testes laboratoriais.

Os resultados, publicados na revista ACS Infectious Diseases e apresentados na reunião anual da American Chemical Society (em Washington, DC), levantam todo o tipo de possibilidades. Talvez esses açúcares mantenham o Streptococcus do Grupo B sob controle e, portanto, os bebês não adquiram prontamente infecções durante o período em que estão na maternidade. Caso isto se confirme e os pesquisadores identifiquem os açúcares responsáveis por isto, essas moléculas podem ser convertidas em novos antibióticos que poderiam evitar alguns dos problemas com os já existentes, como a resistência bacteriana.

No entanto, uma das descobertas mais interessantes, foi a variabilidade entre o leite materno de diferentes mulheres. A equipe do químico Steven Townsend, da Vanderbilt University, em Nashville – EUA, começou com amostras de leite de cinco mulheres. Após o isolamento do conjunto de açúcares em cada uma delas, os pesquisadores ressuspenderam a mistura em água para alcançar a mesma concentração que no leite materno inteiro. Em seguida, a pasta açucarada foi aplicada em placas de Petri, juntamente com Streptococcus agalactiae – Streptococcus do Grupo B.

Das cinco amostras, os açúcares do leite materno de uma mulher foi especialmente potente para evitar que as bactérias se mantessem e se multipliquem, descobriram os pesquisadores. Outra amostra, de uma mulher diferente, mostrou efeitos médios contra a bactéria. As três amostras restantes não foram efetivas. Os pesquisadores já testaram amostras de leite materno de mais de 20 mulheres e estão trabalhando para descobrir as identidades exatas dos açúcares que eliminaram as bactérias.

As bactérias Streptococcus do grupo B podem se unir em colônias resistentes chamadas biofilmes (esquerda). Depois de serem tratadas com açúcares isolados do leite materno humano, as bactérias perdem sua estrutura de biofilme (direita), uma perda que torna esses microrganismos mais fracos. Créditos: S. Townsend/Vanderbilt Univ.

A variabilidade entre as amostras de cinco mulheres foi surpreendente, diz Townsend, “mas é facilmente racionalizado”. Os tipos de açúcares que qualquer pessoa tem dependem dos níveis de glicosiltransferases, proteínas que ajudam a construir moléculas de açúcar. E esta família de proteínas é moldada pelos genes específicos que uma pessoa carrega.

Esses são apenas alguns motivos para toda essa variedade, no entanto, outros ingredientes do leite materno diferem amplamente entre as mulheres. As razões para essas diferenças não são todas conhecidas, mas a dieta, a composição corporal e, talvez, até mesmo se uma mulher está alimentando um menino ou menina, podem desempenhar um papel nisso.

O leite materno também varia na mesma mulher ao longo de meses, dias e até minutos. Por exemplo, o leite materno produzido cerca de meia hora depois de um bebê se alimentar é “mais gordo”, de acordo com um estudo. E o leite produzido por uma mãe que está amamentando por mais de 7 meses é diferente do leite que ela produzia quando seu filho era mais jovem, apresentando menores níveis de zinco, cobre e potássio (mas semelhantes níveis de cálcio e gordura).

Existem muitas outras diferenças quando se trata de leite materno, que é uma bebida altamente idiossincrática. Então, quando os pesquisadores aparecem com novos elementos – ou novos empregos para componentes do leite conhecidos anteriormente – ficamos excitados. Especialmente quando essas descobertas podem levar a uma nova maneira de lutar contra bactérias nocivas, diz Townsend.

Matéria originalmente da revista Science News.

Vinicius Mussi

Vinicius Mussi

Capixaba, graduado em Biomedicina, com especialização em Saúde Pública e mestre em Biociências e Biotecnologia pela UENF - Universidade Estadual do Norte Fluminense Darcy Ribeiro.
Vinicius Mussi

Vinicius Mussi

Capixaba, graduado em Biomedicina, com especialização em Saúde Pública e mestre em Biociências e Biotecnologia pela UENF – Universidade Estadual do Norte Fluminense Darcy Ribeiro.

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