Coloração de Hematoxilina-Eosina

As técnicas de coloração são usadas para facilitar as análises dos tecidos ao microscópio. Os corantes atuam fixando-se eletiva ou seletivamente em determinadas estruturas celulares, conferindo a elas diferentes graus de absorção da luz incidente, e possibilitando a identificação e o estudo de suas alterações por nosso sentido de visão, auxiliado pelo uso do microscópio.

A técnica mais utilizada na rotina de um laboratório de histologia é a coloração de hematoxilina-eosina (HE). A hematoxilina é um corante natural obtido das cascas de pau Campeche.  Para a hematoxilina se tornar um corante e ter afinidade aos tecidos, ela deve ser oxidada em hemateína e em seguida utilizado um mordente, como o alumínio ou o ferro, juntamente com a mistura. Assim, torna-se possível corar os tecidos em azul-púrpura. Em contrapartida, a eosina é um corante sintético e produz uma coloração avermelhada.

A hematoxilina tem atração por substâncias ácidas basófilas dos tecidos, como as proteínas, ricas em radicais amina, como os núcleos, o retículo endoplasmático rugoso e ácidos nucleicos. Já a eosina é ácida e cora predominantemente o citoplasma, as fibras de colágeno e outras estruturas compostas por substâncias com caráter básico.

Protocolo da técnica:

Antes do corte do tecido fixado na lâmina ser corado, a parafina presente deve ser removida (este processo chama-se desparafinização e pode ser realizado em uma estufa) e as lâminas deixadas mais ou menos 02 horas na estufa a temperatura de 80°C.

Após o processo de desparafinização, as lâminas passam por uma bateria de coloração:

  1. Xilol I – Desparafinização: 10 minutos – o xilol dissolve a parafina;
  2. Xilol II – Desparafinização: 05 minutos;
  3. Álcool I – Hidratação: 03 minutos – o álcool hidrata o tecido, pois os corantes são solúveis em água, então é necessário retirar o xilol do tecido e substituí-lo por água;
  4. Álcool II – Hidratação: 03 minutos;
  5. Água corrente – cuba de vidro externa: passagem;
  6. Água destilada – cuba de vidro externa: passagem;
  7. Hematoxilina de Harris (se for uma solução nova, deixar 03 minutos, caso contrário, deixar 07 minutos). Obs: lembrar de filtrar a solução antes de corar;
  8. Água corrente – Cuba de vidro Externa: 10 minutos;
  9. Álcool de passagem: passagem;
  10. Eosina (se for solução nova, deixar 01 minuto, caso contrário, deixar 02 minutos);
  11. Álcool I – desidratação: 03 minutos – Processo de retirada de água do tecido para aumentar o tempo de duração do corte histológico;
  12. Álcool II – desidratação: 03 minutos;
  13. Álcool III – desidratação: 03 minutos;
  14. Xilol I – desidratação: 03 minutos;
  15. Xilol II – montagem: aplica-se uma gota de bálsamo sobre a lamínula, então retira-se o lâmina do xilol, limpa-se o lado que não possui o tecido com uma gaze e, de forma delicada, coloca-se a lâmina sobre a lamínula (tecido voltado para a lamínula) e pressiona-se levemente até o bálsamo preencher toda a superfície da lamínula. Deixar secar por 12 horas.

Veja abaixo exemplos de cortes histológicos corados utilizando esta técnica:


Referências 

DI FIORE, Mariano S.H. et al. Histologia: texto e atlas. s. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2003.

JUNQUEIRA, L.C.; CARNEIRO, José. Histologia Básica. 9 ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 1999.

Juliana Dalbó

Juliana Dalbó

Biomédica, formada pela UNES - Faculdade do Espírito Santo, com especialização em Gestão em Saúde Pública e Meio Ambiente pela Universidade Cândido Mendes - UCAM. Atualmente cursa doutorado em Biotecnologia na Universidade do Espírito Santo pela RENORBIO - Rede Nordeste de Biotecnologia.
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Biomédica, formada pela UNES – Faculdade do Espírito Santo, com especialização em Gestão em Saúde Pública e Meio Ambiente pela Universidade Cândido Mendes – UCAM. Atualmente cursa doutorado em Biotecnologia na Universidade do Espírito Santo pela RENORBIO – Rede Nordeste de Biotecnologia.

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