Treinamento cerebral transforma principiantes em mestres da memória

Apenas seis semanas de treinamento podem transformar pessoas comuns em mestres da memória.

Impulsionar essas prodigiosas habilidades mnemônicas veio com revisões na atividade cerebral, resultando em cérebros que se comportaram como os de especialistas que ganham competições de Campeonato Mundial de Memória, como pesquisadores relataram na revista Neuron.

As descobertas são notáveis ​​porque mostram exatamente o grau de adaptação do cérebro humano, diz o neurocientista Craig Stark, da Universidade da Califórnia, Irvine. “O cérebro é plástico”, ele diz. “Através do uso, ele muda”. Ainda não está claro quanto tempo as mudanças nos cérebros recém treinados duram, mas os ganhos de memória persistiram por quatro meses.

Em um confronto inicial, um grupo de 17 especialistas em memória, participantes do Campeonato Mundial de Memória, enfrentou um grupo de pessoas com memórias comuns. Vinte minutos depois de ver uma lista de 72 palavras, os especialistas lembraram uma média de 70,8 palavras; os inexperientes lembraram, em média, apenas 39,9 palavras.

Em encontros subsequentes, alguns inexperientes obtiveram diferentes níveis de ajuda. Desses, 51 foram divididos em três grupos. Um terço dessas pessoas passaram seis semanas aprendendo o método de loci, uma estratégia de memorização utilizada pelos oradores gregos e romanos antigos. Para usar a técnica, uma pessoa deve imaginar uma cena mental elaborada, como um palácio ou um caminho familiar, e preenchê-lo com itens memoráveis. Novas informações podem então ser colocadas sobre este palácio ou caminho, oferecendo uma maneira de “ver” rapidamente listas longas de itens.

Outros participantes passaram seis semanas treinando para melhorar a memória de curto prazo, realizando uma tarefa complicada que exigia que as pessoas acompanhassem a série de locais que estavam vendo e os números que estavam ouvindo, simultaneamente. O resto dos participantes não teve nenhum treinamento.

Após o treinamento, as pessoas que aprenderam o método de loci realizaram quase tanto quanto os especialistas em memória. Mas o resto não mostrou tal melhora. O co-autor do estudo, Martin Dresler, neurocientista do Radboud University Medical Center, na Holanda, sabia que o método de loci funcionava bem, então ele não ficou surpreso ao ver a nova pontuação desses participantes. Para ele, as mudanças mais interessantes ocorreram no cérebro das pessoas treinadas.

Antes e depois do treino, os inexperientes passaram por varreduras que identificaram áreas do cérebro que estavam ativas ao mesmo tempo – o que é uma indicação de que estas áreas do cérebro trabalham juntas. Dresler e sua equipe analisaram 2.485 conexões cerebrais importantes para a memória, o pensamento visual e o espacial. O treinamento no método de loci parecia reconfigurar muitas dessas conexões, tornando algumas delas mais fortes e outras mais fracas. O efeito geral do treinamento foi fazer cérebros “parecidos com os dos melhores memorizadores do mundo”, diz Dresler. Os resultados sugerem que mudanças em grande escala em todo o cérebro, em oposição às mudanças em áreas individuais, impulsionam o aumento da capacidade de memória.

Essas novas habilidades de memória ainda eram observadas quatro meses após a conclusão do treinamento, particularmente para as pessoas cujo comportamento cerebral se tornou mais parecido com o dos especialistas em memória. Os pesquisadores não examinaram os cérebros dos participantes quatro meses depois, então eles não sabem se o cérebro mantém suas conexões remodeladas. Não houve alterações no cérebro ou grandes aumentos nas habilidades de memória nos outros grupos.

As técnicas de memorização foram criticadas como sendo truques interessantes que têm pouco uso na vida real. Mas “esse não é o caso”, diz Dresler. Boris Konrad, um co-autor do estudo, é um mestre da memória que treinou no método de loci. A técnica “realmente o ajudou a obter notas melhores” em física e outros estudos complexos, diz Dresler.

Melhorias na memória mnemônica, assim como outros tipos de treinamento cognitivo, podem não melhorar uma gama mais ampla de habilidades cerebrais. Este estudo não pode responder a grandes perguntas sobre os benefícios  gerais que o treinamento cerebral pode trazer.

Matéria traduzida da revista Science News.

Vinicius Mussi

Vinicius Mussi

Capixaba, graduado em Biomedicina, com especialização em Saúde Pública e mestre em Biociências e Biotecnologia pela UENF - Universidade Estadual do Norte Fluminense Darcy Ribeiro.
Vinicius Mussi

Vinicius Mussi

Capixaba, graduado em Biomedicina, com especialização em Saúde Pública e mestre em Biociências e Biotecnologia pela UENF - Universidade Estadual do Norte Fluminense Darcy Ribeiro.

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